CASAMBA,
SUA HISTÓRIA E SUAS GLÓRIAS
No
início do ano de 1976, alguns jovens, entre eles
Lauro, Bahia e Batistton, em uma madrugada de sábado,
sentados em um banco do Jardim Público de Rio Claro,
na esquina em frente à Toca, antiga lanchonete
da cidade, localizada onde hoje fica o estacionamento
do Bradesco, resolveram criar um bloco carnavalesco para
desfilar no carnaval daquele ano.
Naquela época era muito comum,
grupos de amigos se reunirem para formar um “bloco
de salão” para participar dos bailes dos
clubes Ginástico e Grêmio. Outro grupo
discutia a formação de um destes blocos,
para brincar o carnaval no GG. Este grupo era liderado
por Elisinha Casonato e se reunia na casa do Mariano,
exatamente em frente à Toca.
Amigos comuns aproximaram os grupos
e daí surgiu a CASAMBA, Carnaval Samba e Batuque.
Na semana seguinte uma parte do pessoal
resolveu acampar no Brôa, represa que fica na
vizinha cidade de Itirapina e na madrugada de sexta-feira
saiu em uma velha Kombi de propriedade de Sueli Casonato,
dirigida pelo Cidinho Geniselli, recém agregado
ao grupo, convidado por Mario Noventa, para levar a
Kombi. Na estrada, com o sol nascendo surgiu então
o tema: “Em busca da terra do Sol”. Assim
como o símbolo do bloco, o SOL NASCENTE e as
cores oficiais AMARELO E BRANCO. Os irmãos Marcos,
Kal e Gusto Rizzardo se juntaram ao grupo neste acampamento,
assim como Mario Noventa, José Casonato, João
Dito Geniselli e outros.
Elisinha
Casonato então compôs o primeiro samba
enredo, inesquecível e até hoje cantado
em todas as festas quando se encontram os antigos casambeiros,
hoje gentilmente apelidados “dinossauros”.
“Minha
cidade amanheceu, com ar alegre e jovial
E foi bem fácil entender que era manhã
de carnaval..."
VVersos alegres e melodiosos deram a tônica do
primeiro samba enredo. O bloco cresceu, se inscreveu
para o Desfile de Carnaval de 1976 e entusiasmou-se
a ponto de requerer sua inscrição como
Escola de Samba, se preparando para tal.
As festas visando arrecadação
de fundos aconteciam na Sociedade Nipo Brasileira e
diz a lenda, que uma mesma garrafa de Wisque chegou
a ser rifada na mesma noite seis vezes e ajudou a comprar
o primeiro treme terra da bateria. Mas isso tudo faz
parte da história.
Os ensaios eram no antigo barracão
da fábrica de refrigerantes do Casonato (rua
2 esquina av. 42) e ao final da noite os batuqueiros
sempre ganhavam duas caixas de maçã ou
sodinha para se refrescar. Enquanto isso Urias Novaes
comandava no barracão a confecção
do primeiro carro alegórico. O grupo crescia
noite a noite com a chegada de Frayzinho, Mio, Celsinho
Casonato, Jarrão, Mimi e Angelinha.
Naquele tempo desfilava-se quatro noites
e as notas eram somadas. Os jurados ficavam em um “palanque”
na Rua 3, esquina com Avenida 1. O corso iniciava-se
na Rua 6 esquina com Avenida 3 seguindo em direção
ao centro, contornava o Jardim e descia a Avenida 1,
terminando na Rua 6 em frente ao antigo Cine Variedades.
O reduto Casambeiro era na Toca. Quando a Escola passava
a festa era total com fogos de artifício e muito
confete e serpentina.
As outras escolas de samba recorreram
e a CASAMBA foi obrigada a desfilar como bloco, ganhando
o concurso daquele ano e adquirindo o direito de se
tornar então Escola de Samba. Foi seu primeiro
título.
A bateria era comandada por mestre
Eurico e naquele ano a CASAMBA desfilou com exatos 96
figurantes. Um carro alegórico abria o desfile,
com Urias, Angelinha e Tirzah entre os destaques. O
grande carnavalesco Urias desde o primeiro ano já
mostrava suas qualidades.
Entre as meninas que desfilaram no
primeiro ano, as primas Elisinha e Sueli Casonato, Lia
Dutra e Marcinha que depois iriam se tornar Porta Bandeira
e Porta Estandarte por muitos desfiles.
Após o desfile todos iam para
o Ginástico sendo que na terça-feira todos
foram fantasiados com as roupas da Escola e foi então
feita a famosa foto na escada com todo o grupo.
Infelizmente após o carnaval,
Elisinha fundadora e compositora faleceu em um acidente,
deixando todos transtornados e a bandeira da CASAMBA
pela primeira vez homenageou um de seus componentes.
No
ano seguinte, já como Escola de Samba A CASAMBA,
sob a presidência de Urias Novaes, o tema enredo
foi “Sonhos de Criança”, com música
de Cidinho e Gil.
“Lê
lê lê lê lê lê lê
Lê lê lê lê lê lê
a
Os sonhos de uma criança
A Casamba vai mostrar “
Entoava o refrão da escola caçulinha,
que chegava para marcar presença. A CASAMBA sempre
foi criativa e pioneira. Uma comissão de frente
de lindas mulheres vestidas de fada, registrou a primeira
comissão de frente feminina da história
de Rio Claro. Também foi a primeira comissão
de frente fantasiada da história de nossa cidade,
pois naquela época o normal era desfilar com
fraque e cartola.
Na
terça-feira de carnaval, novamente os integrantes
da Escola foram fantasiados no Ginástico, para
a famosa foto na escada do GG . A rivalidade que se
formava entre as escolas na avenida se estendia pelos
salões dos clubes rioclarenses e o ponto alto
era o momento de cantar o samba enredo das escolas no
palco do clube.
Infelizmente
a Escola pagou caro pelo seu pioneirismo e sua coragem
de inovar. Um dos jurados, não entendeu nada
e deu uma nota ZERO para a comissão de frente
de lindas mulheres fantasiadas e a CASAMBA acabou ficando
em segundo lugar. Além da tristeza do segundo
lugar, na madrugada da segunda-feira de carnaval mais
um componente da escola morre em um acidente de moto,
Jorginho. Amado por todos, fazia parte da bateria da
escola. A CASAMBA esta de luto em pleno carnaval.
No
ano de 1978, sob o comando do presidente João
Otavio, a CASAMBA vem com o tema “A terra que
o Rei Midas tocou, o ciclo do ouro no Brasil”.
Com música de Cidinho e Gil novamente, A CASAMBA
conquista o tão cobiçado título.
Nasce então a famosa comissão de frente
da escola, que iria reinar soberana por vários
carnavais.
“Para tanto ouro simbolizar
Na lenda o Rei Midas
A Casamba foi buscar”
Entoando este refrão em um desfile impecável
a CASAMBA sagra-se campeã do carnaval rioclarense.
A bateria sob a batuta de mestre Edmundo Velasco tomou
conta da avenida. Naquele tempo as rainhas da bateria
chamavam-se “rumbeiras” e a Escola trouxe
Ariana Pierone, jovem da sociedade totalmente coberta
de pó dourado à frente dos batuqueiros.
Sucesso absoluto. Também neste ano surge o primeiro
diretor de Harmonia da Escola, seu Dega. A CASAMBA participou
também do Carnaval Popular que foi realizado
no Mini Ginásio de Esportes, levando toda Escola
na segunda feira de carnaval.
No
ano seguinte o presidente foi Mario Noventa tendo como
vice Cidinho Geniselli e o tema enredo escolhido foi:
“Num rito de magia da terras de Yourubá,
dançam os filhos de Keto. Candomblé no
Brasil”. A música foi de Cidinho e Gil
mais uma vez.
“Acordes
do samba anunciam
Em meio a uma emoção contagiante
Casamba alegria de Rio Claro
E Candomblé um misticismo fascinante”
E mais uma vez a CASAMBA se torna campeã do carnaval
rioclarense, conquistando seu primeiro bi-campeonato.
A comissão de frente impecável, belos
destaques representando orixás, como Saranita
Haik vestida de Iemanjá, a competente bateria
agora já com mestre Bahia no comando, muita alegria
e muita gente bonita, fizeram daquele desfile, um dos
mais coloridos e belos da história da Escola.
Na frente da bateria dois mitos: Ariana Pieroni e Valéria.
A ala das baianas comandada por Dona Iracema fez história
no carnaval de Rio Claro.
Outro ponto de destaque naquele ano
foi a exibição de Cao e Mimi que por muitos
anos formaram o casal de mestre-sala e porta-bandeira
da Escola.
Para divulgar a Escola, foi formado
o grupo Meninos da CASAMBA, que se apresentava em Rio
Claro e região em clubes, bailes, festas e lanchonetes.
O ponto alto das apresentações era o SAMQUEVI
(samba, queijos e vinhos) na Philarmônica Rio-clarense
e a noite de Talentos no Ginástico.
No
ano de 1980 o presidente da escola era João Dito
Geniselli e o tema escolhido foi “O princípio.
A criação do mundo segundo a lenda tupinambá”.
O samba enredo composto por Cesar e Edmundo Velasco
contagiou os integrantes e toda avenida.
“Alô
Alô Alô
A CASAMBA conta agora como tudo começou
A lenda mais linda que há
Tupi tupinambá”
A criatividade do carnavalesco Urias
neste ano se somou ao talento do famoso escultor rioclarense
Vilmo Rosado que criou obras primas que foram mostradas
na avenida como, por exemplo, o abre-alas representando
a terra, sendo amparada por dois guerreiros criados
pelo escultor.
Mais uma vez a comissão de frente,
a bateria show sob o comando dos mestres Bahia e Salvador,
além de lindas mulheres deram a tônica
ao desfile. Também neste ano a CASAMBA trouxe
14 batuqueiros da Escola de Samba Camisa Verde de São
Paulo, e pela primeira vez em Rio Claro, uma escola
trazia mulheres tocando instrumentos de percussão.
Novamente a marca de pioneirismo e inovação
da escola.
Foi uma disputa muito acirrada e resultou
em empate entre duas escolas, completando desta forma
o primeiro tri-campeonato da CASAMBA. Havia um troféu
transitório em disputa, sendo que a Escola que
ganhasse 3 vezes consecutivas ou 5 alternadas teria
a sua posse definitiva. Depois de alguns meses de polêmica,
finalmente o Troféu Nelson Letizio foi entregue
à CASAMBA em uma grande festa na chácara
Ilha do Bianchini, sendo que o próprio Sr Nelson
em companhia do prefeito da época efetivou a
entrega. Não resta dúvida, a CASAMBA foi
a primeira Escola de Rio Claro a se tornar tri-campeã.
A Escola crescia, o nível das
fantasias, alegorias e carros ficava cada vez mais alto
e era preciso arrumar outras fontes de renda para fazer
frente aos gastos da CASAMBA. A principal fonte de renda
da escola então eram festas temáticas
que eram feitas nos clubes e discotecas da época,
sendo que ficaram famosas a Festa das Bruxas no Stonage,
a Festa da Mandioca no CPP, a Festa da Batata, entre
outras.
Para angariar fundos a CASAMBA promoveu
no Ginásio de Esportes um show com Milionário
e José Rico, um dos maiores expoentes musicais
da época levando mais de 4.000 pessoas, o maior
recorde de público daquele ginásio.
Para atingir o público jovem
a escola promovia competições de carrinho
de rolimã, bicicross e corridas de kart.
Também foi fundado o Moto-clube
CASAMBA que promoveu diversas provas de moto-cross,
auto-cross e demolition-car. A Escola chegou a promover
várias provas do campeonato paulista e duas do
campeonato brasileiro de motocross. Sambistas que se
transformavam em promoters durante o ano.
No
ano de 1981 a CASAMBA não participou do desfile
oficial, mas fez uma parceria com o clube Philarmônica
e apresentou na avenida o bloco FICASIM , denominação
de Filarmônica, Carnaval e Simpatia com o tema
Tributo a Cartola, contando a vida do compositor carioca,
sendo considerado o melhor bloco daquele ano. O samba
enredo foi de autoria de Cidinho e Vermelho.
“
se as rosas pudessem falar
Em coro cantariam assim (não não vai)
Não vá embora...FICASIM”
Em
1982, sob a presidência de Cidinho Geniselli a
CASAMBA volta à avenida do samba com o tema “Brasileiro.
Profissão: Esperança...”. Apostando
em uma escola criativa e moderna a CASAMBA lançou
naquele ano o estilo livre, leve e solto, que a acompanhou
por muitos anos. Também foi o ano do “made
in Rio Claro”. Optamos por fazer em nossa cidade
todas as fantasias e alegorias enquanto outras escolas
traziam material pronto e já utilizado em outros
desfiles. E a CASAMBA ganhou o carnaval. O samba foi
composto por Cidinho e Vermelho.
“Num
jogo de búzios fui correndo
E sobre meu destino perguntei
No caminho uma cigana me falou
De um grande amor que terei (amor amor)”
No
ano seguinte, ainda sob o comando de Cidinho Geniselli,
a CASAMBA trouxe para à avenida um carnaval luxuoso,
com ricos destaques e carros alegóricos criativos.
Diversos quadripés com lindas e jovens mulheres
enfeitaram as alas, dando mais glamour ao desfile da
Escola. O tema foi Quebra-Cabeça, com música
de Cidinho e Vermelho. A CASAMBA sagrou-se novamente
campeã, conseguindo então seu segundo
bi-campeonato.
“Lua
oh divina lua
Manda tua luz prateada
Quero ver de onde vem
O alucinante som de batucada (bis)”
Em 1984 a Escola se organizou, atualizou
seu Estatuto Social, criou seu Conselho Deliberativo
e deu lugar a uma diretoria mais jovem comandada por
Ivan Tadeu Meyer, que assumiu também a banda
“Meninos da CASAMBA”. O tema enredo foi
“Terra Rica e Generosa”. Foi o ano da mudança
do desfile para a Avenida Rio Claro e a CASAMBA não
foi bem no desfile, ficando apenas em terceiro lugar,
até então a pior classificação
de sua história. O resultado não fez bem
a Escola que optou por não desfilar no ano seguinte,
fazendo novamente uma parceria com o clube Philarmônica.
Novamente
o FICASIM na avenida em 1985, com um tema ligado a outro
famoso compositor, desta vez paulista, Adoniran Barbosa.
Mais um sucesso do bloco verde e rosa, que ficou novamente
com o troféu de melhor bloco carnavalesco, desta
vez já desfilando na Avenida Visconde.
“Quem
pode pode não sacode faz escola
E quem não pode se sacode FICASIM”
O samba enredo fazia uma crítica
a própria escola que mais uma vez optou por não
desfilar e fez a parceria com a Philarmônica para
manter seus componentes mobilizados e sem se dispersar.
Aqui finalizamos a primeira parte da
vida da CASAMBA, talvez a mais vitoriosa, com nove anos
de história, um título de melhor bloco,
5 títulos de melhor escola e 2 títulos
de melhor bloco, defendendo as cores da Philarmônica.
Apenas um resultado negativo, o de 1984.
Um tricampeonato e um bicampeonato
em nove anos de vida. Na condição de escola
de samba, em sete desfiles, ganhou cinco. Aproveitamento
fantástico. Foi chamada de “campeoníssima”
pela imprensa na época. Também foi a maior
detentora de troféus “OUI DE OURO”
pelo jornalista Marcus Vinicius que premiava agremiações
e seus componentes nas mais diversas modalidades.
Em
breve teremos a continuação desta história.
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